O custo da cesta básica voltou a subir em setembro nos três municípios do Sudoeste do Paraná pesquisados pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). O levantamento do Grupo de Pesquisa em Economia, Agricultura e Desenvolvimento (GPEAD), vinculado ao curso de Ciências Econômicas da universidade, aponta altas de até 9,40% em relação a agosto.
Em Pato Branco, a elevação foi de 9,40%, com a cesta básica passando para R$ 727,58. Em Francisco Beltrão, o aumento chegou a 5,75%, elevando o custo para R$ 756,18. Já em Dois Vizinhos, a alta foi de 5,47%, e o valor chegou a R$ 760,15, o maior entre os três municípios pesquisados.
Na comparação entre setembro de 2025 e setembro de 2026, a cesta básica também apresentou aumentos expressivos. Em Dois Vizinhos, a alta acumulada foi de 22,99%. Em Pato Branco, chegou a 17,52%, enquanto em Francisco Beltrão foi de 15,77%.
Alimentos ficaram mais caros
Além de produtos como arroz, óleo de soja e carne, o levantamento identificou aumentos nos preços do feijão, açúcar e leite.
Entre os fatores que influenciaram os preços está a maturação mais lenta do tomate, provocada pelas baixas temperaturas. Já o óleo de soja sofreu pressão da maior demanda pela matéria-prima destinada à produção de biocombustíveis.
A carne bovina também registrou aumento em 23 das 27 cidades pesquisadas nacionalmente. No Sudoeste do Paraná, o preço subiu 1,89% em Dois Vizinhos e 1,85% em Pato Branco. Segundo a pesquisa, a redução da oferta de animais durante a entressafra, o aumento das exportações e as expectativas relacionadas às compras da China contribuíram para a elevação.
Salário mínimo não cobre as necessidades básicas
O estudo aponta que o salário mínimo nacional vigente, de R$ 1.621,00 brutos e R$ 1.499,42 líquidos, é insuficiente para garantir a compra da cesta básica familiar e atender às demais necessidades essenciais dos trabalhadores.
Considerando os dados de setembro, o salário mínimo necessário para uma família deveria ser de R$ 6.386,03 em Dois Vizinhos, R$ 6.352,67 em Francisco Beltrão e R$ 6.112,40 em Pato Branco.
O levantamento utiliza metodologia do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) e acompanha os preços praticados no varejo para avaliar a evolução do custo dos alimentos.
Os dados reforçam o impacto da alta dos preços no orçamento das famílias e mostram como a alimentação continua comprometendo uma parcela significativa da renda dos trabalhadores.
Fonte: Unioeste/GPEAD.
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