Plantações de milho, soja e fumo estão entre as mais atingidas; agricultores iniciam procedimentos para acionamento dos seguros agrícolas.
A forte tempestade de granizo que atingiu São Jorge D’Oeste na noite de quarta-feira (4) deixou um cenário de destruição em propriedades rurais do município. Comunidades como Consoladora, Perobal e Linha Locatelli estão entre as regiões castigadas pelo fenômeno, que comprometeu lavouras em diferentes estágios de desenvolvimento.
Nas plantações de milho, que em algumas propriedades já apresentavam plantas com aproximadamente 50 a 60 centímetros de altura, o impacto das pedras de gelo provocou danos severos à estrutura vegetativa. Folhas dilaceradas, hastes danificadas e plantas quebradas evidenciam a intensidade da tempestade.
Nas áreas cultivadas com soja, a situação também é preocupante. Em determinados pontos atingidos, a força do granizo praticamente eliminou a cobertura vegetal, deixando lavouras com aspecto de terem sido varridas.
A fumicultura, atividade importante para a renda de famílias agricultoras, também sofreu prejuízos expressivos. As folhas do tabaco, principal produto comercial da cultura, são particularmente vulneráveis ao impacto do granizo. Perfurações, rasgamentos e destruição da área foliar podem comprometer diretamente a qualidade e o aproveitamento comercial da produção.
IMPACTO AGRONÔMICO E POSSIBILIDADE DE RECUPERAÇÃO
Do ponto de vista técnico, os danos provocados pelo granizo dependem da intensidade do fenômeno, do estágio de desenvolvimento das culturas e do comprometimento das estruturas responsáveis pelo crescimento das plantas.
No milho, a preservação do ponto de crescimento pode permitir a emissão de novas folhas em determinados estágios vegetativos. Entretanto, lesões severas, quebra de plantas e redução da área fotossintética podem comprometer o potencial produtivo.
Na soja, a capacidade de recuperação depende especialmente da sobrevivência das plantas e da integridade das gemas de crescimento. Já no fumo, a destruição das folhas representa um impacto direto sobre a produção comercial.
PRODUTORES ACIONAM SEGUROS E AGUARDAM AVALIAÇÕES
Diante dos prejuízos, agricultores atingidos estão iniciando os procedimentos de comunicação das perdas e acionamento dos seguros agrícolas.
A avaliação técnica será fundamental para determinar a extensão dos danos, a possibilidade de recuperação das lavouras e o enquadramento das perdas nas coberturas contratadas.
A orientação é que os produtores documentem os prejuízos por meio de fotografias e vídeos, comuniquem rapidamente a ocorrência às seguradoras ou instituições financeiras responsáveis e evitem eliminar ou replantar áreas seguradas antes da autorização técnica correspondente.
Até o momento, não há um levantamento consolidado da área total atingida nem uma estimativa oficial dos prejuízos financeiros no município.
Além das perdas imediatas, a tempestade representa uma preocupação econômica para as famílias que dependem da atividade agrícola. O investimento realizado em sementes, fertilizantes, defensivos, preparo do solo e mão de obra pode estar comprometido justamente em uma fase decisiva da formação das lavouras.
O episódio evidencia a vulnerabilidade da produção agrícola diante de eventos climáticos extremos e a importância dos mecanismos de proteção da renda rural.
Rádio RCS FM 87,9 — São Jorge D’Oeste.