São Jorge D’Oeste vive, nesta Quinta-Feira, 26 de março de 2026, um dos capítulos mais marcantes de sua história recente com a inauguração oficial do Complexo da Piracanjuba, empreendimento que já se consolida como um divisor de águas para a economia local e regional. No clima de expectativa e de celebração, a Rádio RCS-FM reuniu, em uma entrevista especial, três lideranças que representam momentos decisivos dessa caminhada: o ex-prefeito e atual vice-prefeito Gilmar Paixão, a ex-prefeita Leila da Rocha e o prefeito Gelson Coelho.
Mais do que recordar fatos, o encontro proporcionou uma leitura ampla sobre o processo que resultou na instalação da indústria em São Jorge D’Oeste — desde as primeiras articulações políticas e institucionais, passando pela complexa fase de execução da terraplanagem, até os desafios atuais de infraestrutura, mobilidade e habitação que acompanham o novo ciclo de crescimento do município.
Um projeto construído ao longo dos anos
Ao abrir a conversa, o prefeito Gelson Coelho destacou o simbolismo do momento e a importância de reconhecer as mãos que participaram da construção desse processo.
Segundo ele, a inauguração da Piracanjuba representa um marco histórico que precisa ser celebrado não apenas pelo porte do investimento, mas pelo que ele projeta para o futuro de São Jorge D’Oeste. Gelson ressaltou que ouvir aqueles que estiveram diretamente envolvidos nas diferentes etapas da implantação da empresa é também uma forma de valorizar a história do município e compreender a dimensão do trabalho realizado ao longo dos anos.
Gilmar Paixão relembra o início das tratativas
Responsável por conduzir a fase inicial das negociações, Gilmar Paixão recordou o período em que a vinda da Piracanjuba ainda era vista como uma possibilidade distante. Segundo ele, o processo exigiu diálogo, persistência e capacidade de articulação política, além de um trabalho intenso de convencimento e construção de confiança junto à direção da empresa.
Gilmar relembrou as viagens, as visitas técnicas, as conversas com diretores e as articulações para mostrar o potencial do município. Destacou também que, desde o início, havia a percepção de que São Jorge D’Oeste disputava o investimento com outros municípios, o que tornou ainda mais estratégica a defesa do projeto local.
Para o atual vice-prefeito, a consolidação da Piracanjuba representa o começo de uma nova etapa para o município. Em sua avaliação, o empreendimento ampliará oportunidades, fortalecerá o setor produtivo, abrirá espaço para novos investimentos e mudará a dinâmica econômica da cidade. Ele frisou que São Jorge D’Oeste vive um “antes e depois da Piracanjuba”, diante da transformação que a empresa já começou a provocar.
Leila da Rocha detalha os desafios da execução
Na sequência da linha do tempo, a ex-prefeita Leila da Rocha abordou a fase considerada uma das mais desafiadoras de todo o processo: a preparação da área e a execução da terraplanagem. Em seu relato, lembrou que a administração precisou cumprir compromissos assumidos anteriormente, em um contexto extremamente delicado, marcado pela pandemia, por limitações orçamentárias e por uma série de demandas paralelas do município.
Leila enfatizou que a terraplanagem exigiu uma operação de grande porte, com intensa movimentação de terra, acompanhamento técnico permanente e sucessivas adequações solicitadas ao longo da execução. Ela citou o volume expressivo de material movimentado, os desafios relacionados à compactação do solo, ao excesso de umidade em determinados períodos e à necessidade de conciliar o uso das máquinas públicas entre a obra da Piracanjuba e as demais frentes de trabalho do município.
Ao comentar a decisão de utilizar a estrutura da própria prefeitura na execução dos serviços, a ex-prefeita afirmou que a medida foi determinante para tornar o projeto viável financeiramente. Conforme destacou, se toda a operação tivesse sido mantida de forma terceirizada, o custo poderia atingir valores muito superiores à capacidade do município.
Leila também observou que a instalação da Piracanjuba não foi resultado de um único fator, mas da soma de condições favoráveis: a força da bacia leiteira regional, a logística estratégica, a disponibilidade de água, a localização do terreno e, acima de tudo, a ação política e administrativa que garantiu a vinda da empresa para São Jorge D’Oeste.
Novo ciclo exige infraestrutura e planejamento
Ao abordar o momento atual, o prefeito Gelson Coelho chamou atenção para o fato de que a pressão administrativa não terminou com a chegada da indústria — ela apenas mudou de forma. Se no passado o desafio era trazer a empresa e preparar a área, agora a missão do poder público é garantir a infraestrutura necessária para sustentar o ritmo de expansão que acompanha esse novo cenário.
Gelson apontou como prioridades imediatas a mobilidade urbana e regional, a ampliação da infraestrutura e a habitação. Segundo ele, o crescimento acelerado do município exige respostas rápidas e articuladas, especialmente na melhoria dos acessos, no planejamento viário e na oferta de áreas para expansão industrial e residencial.
O prefeito destacou que a administração já vem atuando em parceria com empresários e com o Governo do Estado para viabilizar projetos estratégicos, entre eles melhorias na região de acesso ao parque industrial. Ressaltou ainda que o desenvolvimento não pode ser sustentado apenas pelo orçamento próprio do município, tornando indispensável a busca por parcerias público-privadas e apoio institucional.
Na avaliação de Gelson Coelho, o momento exige responsabilidade, planejamento e união. Ele defendeu que o município precisa criar condições para que as pessoas não apenas trabalhem em São Jorge D’Oeste, mas também morem, invistam e construam suas vidas na cidade.
União de lideranças em favor do município
Um dos pontos mais simbólicos da entrevista foi justamente a presença conjunta de três lideranças que, em períodos distintos, estiveram à frente da administração municipal. O encontro foi marcado por reconhecimento mútuo, respeito institucional e pela defesa de uma visão comum: a de que o desenvolvimento de São Jorge D’Oeste é maior do que disputas políticas.
Ao longo da conversa, Gilmar Paixão, Leila da Rocha e Gelson Coelho reforçaram, cada um à sua maneira, que a história da Piracanjuba foi construída com a participação de muitas pessoas — gestores, vereadores, secretários, técnicos, proprietários de áreas e agentes que, em momentos diferentes, ajudaram a transformar a possibilidade em realidade.
A entrevista também evidenciou que a instalação da empresa já vem irradiando efeitos positivos para além da indústria em si. O crescimento do interesse de investidores, a valorização de áreas próximas, a movimentação do setor empresarial e a perspectiva de novos empreendimentos foram apontados como sinais concretos de uma nova fase para o município.
Um marco para o presente e para o futuro
Ao final do encontro, prevaleceu entre os participantes a convicção de que a inauguração oficial do Complexo da Piracanjuba representa mais do que a abertura de uma grande unidade industrial. Trata-se de um marco que reposiciona São Jorge D’Oeste no cenário regional e amplia sua visibilidade em nível estadual e nacional.
A nova realidade, no entanto, vem acompanhada de responsabilidades. Se por um lado o município celebra a consolidação de um dos maiores investimentos de sua história, por outro passa a enfrentar a missão de preparar o ambiente urbano, econômico e social para sustentar esse crescimento de forma organizada, eficiente e duradoura.
No entendimento comum das lideranças entrevistadas, São Jorge D’Oeste entra, definitivamente, em um novo patamar. E a inauguração da Piracanjuba, aguardada por anos, ficará registrada como um dos momentos mais emblemáticos dessa transformação.
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