A agência da Cooperativa Sicredi no município completa neste mês, 30 anos de atuação, celebrando três décadas de história, desenvolvimento e inclusão financeira. Em entrevista à Rádio RCS-FM, as colaboradoras Susan Fávero e Alessandra Secco ressaltaram a importância do cooperativismo no Brasil e a contribuição da cooperativa para a comunidade local.
Raízes do cooperativismo
Durante o programa, as convidadas resgataram a origem do cooperativismo no mundo. Alessandra lembrou que o movimento surgiu na Inglaterra, em 1844, quando tecelões uniram esforços para garantir melhores condições de compra de insumos e, assim, assegurar a sobrevivência de suas famílias. A iniciativa atravessou fronteiras e chegou ao Brasil em 1902, pelas mãos do padre Theodor Amstad.
O patrono do cooperativismo no Brasil
O Padre Theodor Amstad (1851–1938), jesuíta suíço, chegou ao Brasil em 1885 e se dedicou às comunidades de imigrantes no Rio Grande do Sul. Sensível às dificuldades dos pequenos agricultores, fundou em 28 de dezembro de 1902, na Linha Imperial, em Nova Petrópolis (RS), a primeira cooperativa de crédito da América Latina, hoje conhecida como Sicredi Pioneira RS.
Sua iniciativa transformou a vida de milhares de famílias, garantindo acesso ao crédito justo e fortalecendo o desenvolvimento comunitário. Amstad também fundou escolas, hospitais, associações e cooperativas de produção, sendo lembrado como um grande educador social.
Pela relevância de sua obra, foi oficialmente reconhecido pelo Governo Federal como Patrono do Cooperativismo Brasileiro, por meio da Lei nº 13.926/2019.
“O cooperativismo nasceu para matar a fome. Não foi um movimento glamouroso, foi uma necessidade de sobrevivência”, destacou Alessandra, enfatizando o caráter humano e comunitário que fundamenta o sistema até hoje.
A trajetória da Sicredi em São Jorge D’Oeste
Susan recordou que a história local começou em 1995, quando a agência abriu suas portas oficialmente, depois de um processo iniciado em São João, em parceria com agricultores da Coasul. “Os produtores pequenos tinham dificuldade de acessar crédito nos bancos tradicionais. A união foi a saída”, contou.
Inicialmente instalada em espaços cedidos pela cooperativa de produção, a agência cresceu gradativamente. Funcionou por anos em diferentes endereços até a inauguração da atual estrutura em 2018, moderna e ampla, construída para acompanhar o aumento do número de associados.
Hoje, a agência soma milhares de cooperados e gera dezenas de empregos diretos e indiretos, reforçando o impacto econômico e social do cooperativismo na região.
Diferença entre banco e cooperativa
As entrevistadas também destacaram a diferença entre uma cooperativa de crédito e os bancos tradicionais. “Enquanto o banco é uma sociedade de capital que visa o lucro dos acionistas, a cooperativa é uma sociedade de pessoas, onde o resultado fica na comunidade”, explicou Susan.
Ela citou programas como o Fundo Social e o União Faz a Vida, que destinam recursos a projetos locais de educação e desenvolvimento, além do envolvimento direto dos associados nas decisões por meio de assembleias e votações.
Celebração e futuro
Para marcar os 30 anos, a Sicredi organiza uma comemoração no dia 29 de agosto, das 10h às 15h, na agência de São Jorge do Oeste. O evento contará com coquetel, exposição de fotos e confraternização entre associados e colaboradores. “É um momento de lembrar o passado e projetar o futuro, sempre valorizando a participação da comunidade”, disse Alessandra Secco.
Entre os próximos objetivos, está a meta de alcançar 100 mil associados na cooperativa Sicredi Iguaçu ainda em 2025, além de ampliar a atuação em municípios do Paraná, Santa Catarina e São Paulo.
Atenção aos golpes
As colaboradoras também alertaram para os golpes financeiros que têm se multiplicado. “Desconfiou, não faça. Na dúvida, procure a agência. O diferencial do cooperativismo é que estamos aqui, próximos, acessíveis, para orientar os associados”, reforçou Susan.
Com 30 anos de presença em São Jorge D’Oeste, o Sicredi reafirma seu papel de agente de desenvolvimento, fortalecendo laços comunitários e mantendo viva a essência do cooperativismo: união, participação e inclusão financeira — legado iniciado pelo Padre Theodor Amstad, Patrono do Cooperativismo Brasileiro.
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