São Jorge D’Oeste amanheceu em luto nesta Segunda-Feira (18) após a confirmação do falecimento, ocorrido no Domingo (17), do professor Fiorindo Picinin, conhecido carinhosamente por muitos como “Fiore”. Aos 79 anos, ele deixa uma trajetória profundamente ligada à educação, ao esporte, às entidades comunitárias e à própria formação histórica do município.
Reconhecido pelo perfil disciplinado, detalhista e comprometido, Fiorindo marcou gerações de alunos, colegas e amigos ao longo de décadas de atuação no antigo Colégio Anchieta, no Núcleo Regional de Educação e em diversas atividades da comunidade sanjorgense.
Conforme comunicado divulgado pela família, o velório aconteceu na Capela Diamante, em Balneário Camboriú (SC). A cerimônia de despedida ocorreu nesta Segunda-Feira (18), às 18h, no Crematório Vaticano, às margens da BR-101.
Início da trajetória em São Jorge D’Oeste
De acordo com depoimento da sobrinha Mariluci Daneluz Correia, Fiorindo veio para São Jorge D’Oeste ainda jovem, vindo de Concórdia (SC). Inicialmente, trabalhou na oficina mecânica da família Pagnussat, ligada ao senhor Antônio Pagnussat, pai de Vilsinho Pagnussat.
Na mesma época, o então Colégio Anchieta começava a estruturar suas atividades e precisava de um professor para a área de Educação Física. Como Fiorindo havia servido o Exército Brasileiro, acabou sendo convidado para assumir as aulas, já que naquele período a experiência militar permitia o exercício da função.
“Ele aceitou ser professor e começou ligado à Educação Física e ao esporte. Era algo que ele gostava muito”, relembrou Mariluci.
Mais tarde, buscando crescimento profissional, Fiorindo foi estudar em Palmas, onde cursou História. A formação abriu caminho para que passasse a atuar oficialmente como professor da disciplina no Colégio Anchieta, onde permaneceu por muitos anos.
“Foi uma conquista por etapas. Ele soube aproveitar as oportunidades e se especializar. Trabalhou muitos anos como professor de História em São Jorge”, destacou a sobrinha.
Professor respeitado e liderança na educação
Ao longo da carreira, Fiorindo também exerceu funções administrativas importantes dentro da educação estadual. Atuou como diretor escolar, documentador escolar em São Jorge D'Oeste e posteriormente passou a integrar o Núcleo Regional de Educação em Dois Vizinhos.
O professor Guilherme Kaminski relembrou que conheceu Fiorindo logo após retornar de Rondônia, em 1989, e construiu com ele uma forte amizade.
“O Fiore era muito amigo da gente. Foi uma das primeiras pessoas com quem criamos laços quando voltei para São Jorge do Oeste”, contou.
Segundo Guilherme, Fiorindo era extremamente cuidadoso com a documentação escolar e tinha grande responsabilidade no trabalho que realizava junto à educação.
“Ele era muito dedicado ao trabalho, bastante detalhista, fazia as coisas bem feitas”, afirmou.
Kaminski também relembrou que Fiorindo teve papel importante em sua própria trajetória profissional. Foi ele quem o incentivou a assumir a direção do Colégio Anchieta no início dos anos 1990.
“Ele dizia: ‘Você tem capacidade sim’. Foi a confiança dele que me ajudou a assumir aquele desafio”, recordou.
O professor Miguel Dresch também destacou a contribuição histórica deixada por Fiorindo na educação local.
“Ele teve sempre uma atuação forte na educação. Era um professor competente, comprometido e deixou um legado importante para São Jorge do Oeste”, afirmou.
Já o professor Edmundo Glienke relembrou a convivência profissional e pessoal com Fiorindo ao longo da trajetória educacional em São Jorge D’Oeste.
“Tive a honra dele ter sido meu professor de História. Era uma pessoa íntegra, disciplinada e muito respeitada pela comunidade escolar”, destacou.
Edmundo também recordou os desafios enfrentados nas décadas passadas para regularização de documentos escolares dos estudantes da antiga CNEC.
“Na época, muitos alunos migraram de um curso para outro e havia muita documentação para organizar. O professor Fiore sempre ajudava a resolver tudo com muita calma e responsabilidade”, afirmou.
Segundo ele, Fiorindo era reconhecido pela postura correta e pela seriedade com que conduzia as atividades educacionais.
“Uma das coisas que eu lembro do senhor Fiore é que ele zelava muito pela ordem e pela maneira correta das coisas acontecerem. Sempre foi muito bem visto pelos professores, alunos e toda a comunidade escolar”, completou.
O professor Adair Cecatto, o Pardal, também relembrou a importância de Fiorindo no antigo colégio cenecista e revelou que a turma do Técnico em Contabilidade de 1985 chegou a homenageá-lo dando à classe o nome de “Turma Fiorindo Picinin”.
Pardal destacou ainda que Fiorindo foi diretor do antigo colégio da CNEC em um período importante da educação sanjorgense.
“Em 1985, ele respondia pela direção do colégio estadual de segundo grau da época. Era uma pessoa muito respeitada e ligada à educação”, recordou.
Segundo Pardal, Fiorindo iniciou sua trajetória educacional graças ao período em que serviu o Exército Brasileiro, condição que lhe permitiu assumir inicialmente as aulas de Educação Física.
“Depois ele foi estudar em Palmas, fez faculdade e ampliou sua atuação para História, Geografia e outras disciplinas. Sempre foi muito envolvido com a escola e com a comunidade”, afirmou.
Ligação com o esporte e com as entidades
Além da educação, Fiorindo também teve forte participação no esporte e nas entidades comunitárias do município.
O empresário Ildomar Ragnini, o Lampadinha, relembrou que Fiorindo era presença constante nos eventos esportivos da cidade e incentivava a prática esportiva no município.
“Ele era muito ligado ao esporte. Participava de jogos amistosos no ginásio e no campo Mané Garrincha. Sempre incentivou o esporte e a participação nas entidades”, afirmou.
Segundo Lampadinha, Fiorindo também teve participação empresarial no setor automotivo e ajudou no início das atividades ligadas à empresa que posteriormente se tornaria a Auto Peças Soster.
“Ele participou como sócio no começo das atividades do Joãozinho Soster. Antes disso, trabalhou com o senhor Wullf, pai do Cléber Wullf e do Fábio Wullf”, recordou.
Ildomar também lembrou da atuação de Fiorindo junto ao Rotary Club de São Jorge D’Oeste.
“Foi ele quem me incentivou a participar do Rotary”, relatou.
O professor Sandro Chiarello confirmou que Fiorindo presidiu o Rotary Club no ano rotário 2003/2004 e destacou ainda sua participação como sócio fundador da antiga Pidalter Veículos.
Vida política e comunitária
Sempre participativo, Fiorindo também esteve ligado à política local. Participou do MDB/PMDB, presidiu o partido em determinado período e chegou a disputar eleição para vereador.
Colegas e amigos recordam que ele era uma pessoa muito presente nas discussões comunitárias e nas atividades das entidades locais, especialmente ligadas à educação e ao desenvolvimento social.
Casado com a professora Isabel Reitz Picinin, também muito conhecida na área educacional, construiu uma família profundamente ligada ao ensino e à comunidade.
Aposentadoria e vida no litoral
Após enfrentar problemas cardíacos ainda nos anos 1990 — período em que passou por uma cirurgia cardíaca — Fiorindo acabou se afastando gradativamente das atividades profissionais e posteriormente se aposentou.
Seu sonho era viver no litoral catarinense. Assim, mudou-se para Meia Praia, em Itapema (SC), onde passou os últimos anos ao lado da esposa e da família.
Mesmo aposentado, mantinha hábitos ativos. Segundo a sobrinha Mariluci, ele seguia pedalando diariamente na praia mesmo aos 79 anos.
“Ele queria ficar na praia. E olha, foi atuando até o fim. Andava de bicicleta todos os dias”, contou emocionada.
O professor Guilherme Kaminski relembrou a última visita feita ao amigo, em março de 2024.
“Conversamos bastante, recordamos muitas histórias. Eles estavam felizes vivendo lá”, disse.
Legado que permanece
A morte de Fiorindo Picinin representa a despedida de uma das figuras mais marcantes da história da educação de São Jorge D’Oeste. Professor, diretor, incentivador do esporte, empresário e líder comunitário, ele ajudou a construir parte importante da identidade do município.
Entre ex-alunos, colegas, familiares e amigos, permanece a lembrança de um homem disciplinado, íntegro, participativo e apaixonado pela educação e pela comunidade onde viveu grande parte da vida.
Por Elisiane Conter
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